quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Percepção de auto-eficácia

Com base no excerto de Sara Samssudin (2009), e tendo por base os conteúdos da última aula, p.f teçam os vossos comentários:

"A auto-eficácia na transição do ensino superior para o trabalho

A perspectiva sócio-cognitiva do desenvolvimento da carreira assume que uma transição para o trabalho bem sucedida depende de três tarefas de desenvolvimento principais: “(a) a capacidade dos estudantes para traduzir os seus objectivos em acções; (b) as competências de performance do estudante num domínio específico e as suas competências de empregabilidade gerais (Blustein, Worthington & Juntunen, 2000), e (c) os suportes e barreiras que os estudantes percebem e encontram na busca dos seus objectivos, e como negoceiam esses factores” (Lent et al., 1999, pp. 305-306).

Tendo em conta que o número de diplomados do ensino superior tem vindo a aumentar nos últimos anos e que, simultaneamente o mercado de trabalho tem vindo a estreitar-se (CNAVES, 2004), antecipa-se a existência de algumas dificuldades na inserção profissional por parte dos jovens diplomados (Vieira et al., 2007).

Neste sentido, durante as fases finais da trajectória académica dos estudantes, a proximidade da entrada no mundo do trabalho é propícia à reflexão acerca da capacidade para conseguir um emprego e/ou para assumir de forma positiva e competente o desempenho profissional (Vieira et al., 2007). Ao considerar a influência da auto-eficácia na auto-regulação comportamental e, em particular, na persistência perante o confronto com dificuldades, é possível antecipar que se um jovem tiver confiança na sua capacidade para lidar com a transição para o trabalho, tenderá a ser mais proactivo, decidido e persistente nas suas estratégias de procura de emprego. Desta forma, a auto-eficácia na transição para o trabalho é definida como a crença na própria capacidade para organizar e executar acções de procura de emprego e de adaptação ao mundo do trabalho (Vieira et al., 2007)."

Fonte completa aqui: http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/902/1/18396_ulsd_dep.17714_Dissertacao_Sara_Samssudin.pdf

19 comentários:

  1. O actual contexto socio-económico do nosso país presenteia-nos com um rol de dificuldades que, obviamente se reflecte nas tomadas de decisão da população em geral. A incerteza e ansiedade são sentimentos comuns perante este cenário, donde emerge a necessidade de o indivíduo adaptar o seu comportamento.
    A conjunção política, económica e social são variáveis macro sistémicas, que embora sejam independentes ao indivíduo, influenciam e limitam significativamente o seu comportamento.
    Os jovens universitários são também alvo dessas contingências sociais, particularmente aqueles que se encontram na derrapagem final do percurso de estudante e, se aproximam da possibilidade de ingressão no mercado de trabalho. A fase final da trajectória académica é, como o texto refere, o momento de eleição para uma reflexão mais atenta e auspiciosa das suas vidas profissionais.
    Segundo a perspectiva sócio-cognitiva do desenvolvimento da carreira a capacidade dos estudantes para traduzir os seus objectivos em acções, as competências de performance do estudante num domínio específico, as suas competências de empregabilidade gerais, os suportes e barreiras que os estudantes percebem e encontram na busca dos seus objectivos, e como negoceiam esses factores são tarefas principais e determinantes para o sucesso do seu futuro profissional. Os estudantes com maior auto-eficácia estão dotados de uma maior confiança neles próprios, de uma maior resistência as frustrações.
    A auto-eficácia refere-se as crenças que o individuo possui sobre seu valor e suas potencialidades, o que estreita os laços entre o saber e o fazer. É um processo passível de ser trabalhado, é possível mudar crenças de auto-eficácia e, adaptar esse processo aos diferentes estilos de relacionamento do sujeito com o mundo.
    Perante o contexto onde está inserido e as limitações inerentes a esse contexto, o indivíduo deverá ser capaz de desenvolver uma maior auto-eficácia e auto-regulação, de forma a aumentar a possibilidade de vingar no mundo do trabalho.

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  2. Com o aumento crescente do número de licenciados e o agravar da crise económica que conduz à elevada competição pelos postos de trabalho que são cada vez mais escassos, o processo de transição para o mercado laboral é uma fase muito importante que influencia e direcciona o futuro profissional dos jovens, sendo que o sucesso na vida profissional lhes exige a mobilização dos seus recursos e o desenvolvimento nos diversos domínios: académico, social, relacional, vocacional e emocional.
    O desenvolvimento vocacional é um processo dilatado no tempo, iniciando-se antes da formação escolar e que continua após o início da actividade laboral, sendo optimizado o papel dos indivíduos através de uma actuação activa e participativa. Os factores sociais desempenhados por grupos (familiares, amigos, professores, etc.) e financeiros também influenciam neste processo.
    Segundo Bandura (1995), o conceito de auto-eficácia consiste nas crenças que os indivíduos possuem sobre a sua capacidade de executar as acções requeridas para lidar com as situações futuras. Estas crenças pessoais têm a capacidade de mobilizar a motivação, os recursos cognitivos e as acções para se poder exercer o controlo em acontecimentos que ocorrem ao longo da vida.
    Lent, Brown e Hackett (1994), formularam a teoria sócio-cognitiva do desenvolvimento da carreira que consiste em três modelos circulares que interagem ao longo de um percurso de vida e onde as crenças de auto-eficácia têm um papel relevante no modo como se explicitam processos sobre o desenvolvimento de interesses, a realização de escolhas vocacionais e como as pessoas atingem certos níveis de desempenho e persistência nas suas carreiras.

    Segundo a abordagem sócio-cognitiva, o processo de tomada da decisão vocacional inicia-se com a definição de objectivos, seguindo-se as acções que levam à sua concretização, o investimento necessário para a tomada de decisão e concretização do objectivo, e, finalmente, a performance consistente ao longo do tempo.
    As estratégias a usar na intervenção da percepção da auto-eficácia segundo Brown & Lent (1986) passam pela análise e tomada de consciência das hipóteses seleccionadas pelo cliente, analisar os obstáculos e recursos naturais e modificar as crenças de auto-eficácia, de modo a haver uma percepção mais realista possível das mesmas.
    A auto-eficácia na transição para o trabalho é a crença na própria capacidade para organizar e executar acções de procura de emprego e de adaptação ao mundo do trabalho (Vieira et al., 2007). Deste modo, considera-se que os jovens adultos a frequentar o sistema de ensino que possuem crenças mais elevadas de auto-eficácia irão ter maior probabilidade de serem bem sucedidos na transição da escola para o trabalho. A crença de auto-eficácia, estando intimamente relacionada com as competências, conhecimentos e características pessoais dos indivíduos irá contribuir decisivamente para aumentar o seu sucesso profissional.

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  3. Numa época marcada pela instabilidade e imprevisibilidade do futuro, e face a um mundo do trabalho cada vez mais complexo e mutável, são inevitavelmente colocados novos desafios à forma de conceptualizar a transição efectiva dos diplomados do ensino superior para o mundo do trabalho. Se anteriormente o futuro de um diplomado do ensino superior parecia estar imediatamente garantido, sendo associada a estatuto social e rendimento económico elevados, hoje em dia vive-se um clima de incerteza relativamente ao significado e valor do diploma de ensino superior.
    Os indivíduos que apresentam uma maior preocupação com o seu futuro profissional tendem a desenvolver esforços no presente que servem como base para alcançarem metas futuras; a falta de preocupação leva a uma postura de indiferença em relação à sua carreira, o que se reflecte no pessimismo sobre o futuro e na falta de planeamento.
    O sentimento de responsabilidade face ao desenvolvimento de uma carreira e a crença de que tal desenvolvimento depende em boa parte das acções por nós implementadas, conduz-nos ao conceito de locus de control profissional, o qual se refere à percepção de que o desenvolvimento e sucesso profissionais dependem das acções e esforços levados a cabo por cada um de nós.
    Por outro lado, os indivíduos deverão ser proactivos na procura de informações relativas às diferentes possibilidades e oportunidades profissionais; ou seja, os indivíduos deverão estar receptivos a novas experiências, na medida em que poderão favorecer o autoconhecimento e o conhecimento sobre o mundo do trabalho.
    A curiosidade e o comportamento exploratório irão possibilitar que as escolhas futuras sejam mais realistas e objectivas; a falta de curiosidade pode levar a um conhecimento inadequado e irrealista de si mesmo e da realidade profissional.
    Estas actividades exploratórias podem ainda servir como fonte de autoconfiança, levando os indivíduos a acreditar que são capazes de executar, de forma bem sucedida, os planos de acção necessários à implementação das suas escolhas.
    As fortes crenças de auto-eficácia relacionam-se com resultados positivos na procura de emprego; e embora o conceito de auto-eficácia não represente o real desempenho de um indivíduo, contudo tal desempenho pode ser influenciado pelo nível de auto-eficácia e, ao mesmo tempo, cumprir um papel reforçador dessa crença.
    No decurso de alguns cursos do ensino superior, o contacto directo com o mundo do trabalho surge no âmbito da realização dos denominados estágios curriculares, funcionando assim como uma “ponte” na transição mundo académico - mundo profissional. Estes estágios podem ser encarados como uma actividade privilegiada de exploração vocacional, na medida em que possibilitam uma visão mais realista do mundo profissional e, por outro lado, podem actuar como uma fonte de auto-eficácia, uma vez que possibilitam aos indivíduos experiências de aprendizagem directas, mas também por observação (aprendizagens vicárias através da observação do desempenho de outros profissionais).

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  4. Olá colegas, tudo bem?
    Desejo que sim.

    Olá professora (também claro!), e olá a quem presente...

    Em primeiro lugar, sendo que não domino (ainda) o tema em discussão, manifesto uma primeira ideia de concordância com o texto/ dissertação de Sara Samssudin (2009), assim como para com os textos/comentários da Ana, Teresa e Lisete. Fala-se das dificuldades sócio-económicas actuais, das exigências solicitadas ao ser humano perante as vicissitudes da actualidade e da capacidade de transpor estas diversidades.
    Pois claro, todos sabemos como está o mundo presente. Passamos do tempo das vacas gordas que teve o seu auge na década de 80 e ainda resistiu na época de 90. Hoje sofremos um panorama decadente: a politica desgovernada e desenfreada, uma economia em declínio (talvez tenha ainda uns centímetros antes de atingir o seu máximo inferior-iupi), uma taxa de natalidade não balanceada com a taxa de mortalidade nem tão pouco existem medidas para o equilibrio tão solicitado, e, etc., etc., etc., uma taxa de desemprego assustadoramente dantesca. Do outro lado temos as entradas nas faculdades que continuam a permanecer e a aumentar e alunos recém licenciados ou assim como os recentemente (3 a 6 anos) licenciados. Ora os recém licenciados anseiam pela sua integração no mundo do mercado, ora os recentemente licenciados ainda estão- se com sorte- na fase de integração. A geração anterior já sente as consequências devassas da instabilidade governamental que assolou este nosso país nesta última década.
    Pois claro, o país entrou numa fase de pretensa globalização e tendo nós características particulares, um povo simples, antigo pesqueiro, agricultor, semeador, país peninsular mas nascido de terra e crescido de mar, cheio de expectativas posteriormente a um 25 de Abril que trouxe a esperança e o renascer da motivação e orgulho português. Estudante eu na época de 80, os meus pais com empregos moderados-o meu pai instrutor de condução, na altura em que as escolas de condução davam de comer e muito mais, e a minha mãe, encarregada numa fábrica de cerâmica-, salários médios, e ainda com mais duas irmãs, ora nada me faltou. Nunca se colocou a questão de não estudar, antes pelo contrário. Ainda no melhor da década de 90, altura em que ingressei na faculdade e que coincidiu com o falecimento do meu pai... nem nessa altura se colocou a questão de ir trabalhar...Bom, quero eu com isto tudo dizer e afirmar que "se fosse hoje", nada disso teria sido possível!

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  5. Para quem não sabe, não se lembra ou não é desse tempo, há cerca de 30/20 anos atrás, trabalhar era um direito e o meio para o atingir, salvo os casos extremos ou outros casos que irei ainda referir, era estudar. Ter um canudo para ser alguém na vida!
    Ora pois, a minha auto-eficácia sempre ne safou! Nunca tive muito mas sempre me desenrasquei e superei as minhas dificuldades, e como eu outros tantos. Já as minhas irmãs tiveram o mesmo que eu, a determinada altura até mais, e não estudaram. A auto eficácia das minhas irmãs na escola não era das suas maiores "qualidades". Finalizado o 12º ano, por ali ficaram e procuraram ingressar no mundo do trabalho. Acrescento que não tinham a necessidade de o fazer. As ofertas de trabalho ainda eram "mais q'às mães" e então lá acharam que a sua auto realização seria tomada por aqueles caminhos.
    Já eu não. Muito embora por vezes me rodeasse por um sentimento devastador de insegurança, de dúvida em relação ao futuro, nunca me detive. Coloco aqui a questão, baseando-me num texto de J.A.Bzuneck (não tem ano?!), sobre a auto-eficácia e a motivação do aluno. Pegando no que diz sobre auto conceito e auto eficácia, eu arrisco-me a perguntar será que, apesar de eu muitas vezes "sofrer" de um auto conceito moderado em relação às disciplinas que o meu curso tinha, a minha auto eficácia era de tal forma elevada, ou suficiente, ao ponto de a minha motivação não ter sido abalada e ter conseguido finalizar um grande objectivo meu que foi tirar a minha licenciatura?! Ou terei eu percepcionado mal, pois encontram-se s dois interligados, e só sendo positivo o primeiro, também é positiva o segunda?!Teria eu para me ajudar uma auto percepção considerável?! Talvez tenha sido isso. As três estão interligadas, disso não há dúvida. Mas manterão uma relação linear?
    Bom, não interessa para o caso. Mas interessa saber que a auto eficácia "condiciona", tal como condicionou a mim, tal como condicionou as minhas irmãs, opções de vida.

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  6. Primeiro estudei e enquanto o fazia tomava conhecimento das possibilidades que me rodeavam. Depois deitei de lado as que menos me suscitavam interesse. Neste rol que "despachei" não incluí actividades que considerei difíceis, ou seja, apenas por achar que seria quase impossível de concretizar certo curso em determinada área, não excluí as mesmas, balanceei os meu sinteresses e por fim, tomei uma decisão e operacionalizei-a. Tal como o processo de Bandura (1963), na sua Teoria Sócio Cognitiva do Desenvolvimento Vocacional.
    Em todo este desenrolar de acções, os meus interesses, objectivos, influências parentais e influências dos meus avós (muito pouco em relação a outros elementos perto de mim), experiências, o meu meio ambiente, expectativas a médio e longo prazo, foram ditando os caminhos a fazer. Assim como a minha percepção de concretizar e finalizar determinadas tarefas, e assim como a fé que tinha em mim própria para prosseguir com o meu objectivo. pode-se dizer que a minha auto eficácia "rockou". Acreditei em mim!
    Pois essa minha "característica", sim, porque eu entendo-a como uma parte de mim, foi o que diferenciou a longo prazo das minhas irmãs. Ainda eu tenho fé e torço para que em ambas a sua auto eficácia lhes venha a permitir atingir algo mais. Não é um processo fechado. A crença de auto eficácia, ao longo do da vida, pode perfeitamente mudar. Ora poderão ter havidos mais experiências ( de trabalho, relacionais, sociais, emocionais, etc.) e mais positivas; os objectivos podem aumentar ou mudar conforme mudam as circunstâncias que rodeiam o ser; mais e novas influências; etc.. Felizmente esta é uma crença cuja alteração é exequível. Convenhamos, se assim não fosse, perante a minha percepção actual com relação ao mundo do trabalho presente, que inevitavelmente eu comparo com o de há uma data de anos atrás, estaria eu e muitos como eu condenados!

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  7. Se a auto-eficácia pode ser definida como sendo a crença que o sujeito apresenta acerca do sucesso com que vai executar determinada tarefa podemos afirmar que a mesma /(elevada ou baixa) se pode traduzir nos investimentos (ou não) que o sujeito faz ao longo da sua vida. No entanto, os jovens adultos na transição para o mundo laboral têm de tentar ajustar a sua percepção de auto-eficácia à realidade laboral, ou seja, às ofertas de emprego que existem. Daí, a importância da existência de uma proximidade com o mundo laboral, diria eu que não só nas fases finais de conclusão dos estudos, mas também, na escolha do próprio curso. De uma forma sucinta devem conjugar as suas expectativas à realidade laboral e social presentes, mas para isso tem de ser um sujeito confiante, no sentido em que é capaz de explorar e posteriormente investir (Achievers- Marcia). Mas, perante esta modernidade liquida da sociedade actual, em que a incerteza e a ansiedade impera torna-se difícil para o sujeito traçar os objectivos a seguir. Pois, tudo se encontra em constante mutação e a um ritmo acelerado. Perante esta sociedade implacável, onde apenas sobrevivem os “fortes”, os sujeitos têm de primeiro acreditar em si e nas suas capacidades (percepção de auto-eficácia), explorar o que os rodeia, experimentar e traçar objectivos reais e concretizáveis, mas o mais importante têm de ter uma enorme capacidade de adaptação...

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  8. ...
    E então lá vou eu, concorrendo, ano após ano, na esperança da minha integração no mercado de trabalho. Pois, porque ainda hoje o faço. passo a explicar, para quem não está dentro deste processo de colocação dos professores... após 11 anos de findada a licenciatura e de 11 anos a concorrer e depois de 10 escolas a leccionar, eu estou, no presente, desempregada. Não há lugar para mim.
    Aproveito o seguimento para desestabelizar a eficácia da auto-eficácia. Claro está que há dez anos atrás, o mercado de trabalho era ainda, na carreira docente, um pequeno paraíso. Era viável, óptimo até, tinha-se essa visão , pois o mercado ainda não estaria saturado. Mas de facto não passava apenas da percepção individual originada pela ilusão geral criada para "enganar" estes empregadores. A docência já há muito que vinha a sofrer de excesso de oferta, em particular nas disciplinas consideradas nucleares, tais como a matemática e a língua portuguesa. Eu, e muitos como eu, seguiamos ainda na esperança de ter um futuro. O mercado de trabalho iniciava a sua interminável fase de saturação. Na minha persepectiva esta saturação segue ciclos de desenvolvimentos. Veja-se, consoante as alterações que a sociedade vai desenvolvendo, com o progresso e mmudanças de prioridades, com as sucessivas necessidades, ora constantes, ora maiores, ora diferentes, também as profissões se vão saturando ou des-saturando. São modas... Neste contexto, onde entra auto-eficácia?! Ou por outras palavras, como nos ajuda?! Ou, será que ajuda?! O sujeito tem a crença de que vai realizar determinada tarefa... É válido! Mas terá oportunidade de executar essa tarefa? Se não tiver de pouco lhe importa ou serve ter confiança em si. Quanto muito, a auto eficácia individual é um poderoso auxílio em lidar melhor com o desemprego. Irá ser uma arma de procura e de combate, de estratégia e implementação, mas será que não poderia ter antecipado a situação e funcionar como prevenção, evitando depois o desgaste do individuo?
    Bom, por outro lado a auto eficácia concerne nas sua "definição", o carácter exploratório. Será que nesta perspectiva, se de facto o estudante for auto eficaz, terá consciência da velocidade a que a sociedade se altera e acompanha essas alterações? Parece haver uma auto-correlação positica entre auto-eficácia e nível exploratório (Boff, R., & Bardagi, M., 2010), mas será essa relação suficiente?

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  9. O processo que o estudante executa, se tomarmos do princípio que é auto eficaz, em nada está errado. Nada há de esquisito. Pelo contrário, enquadra-se perfeitamente nos contextos da Abordagem Sócio-Cognitiva do Comportamento Vocacional, de Lent, Brown e Hackett (1999). Enquanto conjunto de características intrínsecas, valores pessoais e crenças, mas também de experiências, enquanto resultado das suas aprendizagens, enquanto participante activo e passivo na comunidade e nas tarefas da "vida", enquanto objecto de influência de outros, o estudante desenvolve os seus interesses, objectivos, perspectivas individuais, expectativas... Determina as tarefas a desenvolver e cria os seus resultados. Entretanto, tendo o processo sido o ideal, onde sofreu no seu percurso um fatídico desvio? Ou talvez não ocorra... Bom, parti do pressuposto, pela presente situação actual, em que o desemprego assume um papel completamente destruidor da sociedade, mas também talvez pela minha situação presente, que o estudante não conseguirá entrar no mercado de trabalho. Invertendo essa situação, assumo que sim. terminou o seu curso e agora irá "aos bichos". Tanto mais fácil e fluido lhe será o processo se acreditar em si, se tiver confiança nas suas capacidades. Não é pelo facto de que se for confiante um viável patrão será o seu futuro patrão. Será mais fácil pelo facto de qua conseguirá lidar melhor todas as vezes que ouvir um "não". E procurará alternativas. Quanto maior a sua auto-eficácia, maior a sua persistência, a sua resiliência, como apoia Viera et al. (2007).
    mas o mundo do trabalho está a apertar, como confirma Cnaves (2004). Tenho que acreditar que se o estudante tiver uma maior eficácia, conseguirá "prever" este estreitamente, direccioná-lo correctamente e agir em conformidade, havendo portanto um condicionamento nas suas escolhas? Ou irá, não deixando de ser auto eficaz, persistir nas mesma, não descurando os seus interesses, mesmo sabendo que corre o risco destas sairem frustradas?
    Concerteza, mesmo que a auto eficácia seja um instrumento valioso na ponderação de escolhas, não invalida concerteza a presença de uma orientação vocacional que abrange as dificuldades actuais de ingressar no mercado de trabalho. Por si, a auto eficácia não dita a entrada e permanência no mercado de trabalho. Esta é no fundo a minha perspectiva. O investimento num núcleo de orientação vocacional que contribua para o desenvolvimento da auto eficácia individual.
    Nas escolas, nas empresas, para crianças, adolescentes, jovens e adultos, no estudo e no trabalho. Porque a auto eficácia responde a um processo de desenvolvimento e crescimento e, podendo ser relativa, há que ajudar na sua construção e caminho do estudante enquanto ser antes de estudar e ser depois de ir trabalhar.

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  10. Moisés, não tem nada a comentar? Estou à sua espera para dar feedback aos comentários.
    Até já
    Ana Martins

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  11. Oops... Peço desculpa a todas e a todos por ainda não ter participado neste comentário e ter atrasado a vida a toda a gente...

    Então, cá vai, mais rápido e sucinto do que é costume:

    A auto-eficácia, enquanto mediadora do investimento e mobilização de recursos internos para a prossecução de objectivos faz sentido e faz sentido dizer que esta crença sobre as nossas capacidades e competências actua não só no processo de escolha de uma profissão ou de um projecto de carreira/vida, mas também no processo de transição estudo/mercado do trabalho.

    Seguindo a teoria, seria de esperar que quanto maior a crença nas minhas capacidades para ultrapassar dificuldades e singrar na minha introdução no mercado de trabalho, maior seja o meu investimento, mais esforços mobilize e, talvez por isso também, possa contribuir para ter sucesso ou melhor prestação...

    No entanto, fiquei a pensar... Se a auto-eficácia também é fruto de aprendizagens vicariantes e de experiências nossas não será possível que uma auto-eficácia alta possa tornar-se uma baixa auto-eficácia?

    Passo a explicar: Ok, creio firmemente na minha capacidade de fazer a transição para o mercado de trabalho, independentemente das dificuldades. Isso pode resultar em mais hipóteses porque, provavelmente, mobilizarei mais recursos internos... Mas e depois de várias tentativas falhadas, de muita proactividade sem retorno? É provável que esta crença nas minhas capacidades se reduza e a auto-eficácia diminua, creio...

    Isto porque me lembrei de algo que li sobre a procura activa de emprego: era qualquer coisa como: as pessoas que procuram emprego mais activamente, com mais empenho, etc., sofrem mais impactos negativos com cada 'não' que recebem... Neste processo de 'nãos' consecutivos, a maior proactividade, motivação e auto-eficácia pode resultar no seu contrário?

    Tento ter em vista que conseguir um emprego não depende apenas da minha auto-eficácia, ainda que possa depender em parte disso... E que, sendo assim, creio a negociação de barreiras e factores que impedem a prossecução de objectivos incluem, certamente, a auto-eficácia, mas deverão incluir outras soluções...

    Arrisco uma provocação: Avançar para a batalha contra essas barreiras armados apenas de auto-eficácia pode-nos destruir mais do que as próprias barreiras em si. Como a auto-eficácia remete para uma internalização do locus de controle sobre uma situação, se falharmos numa situação (neste caso, se não conseguirmos entrar no mercado de trabalho de imediato) pode levar a que nós atribuemos esse falhanço a apenas nós mesmos e não a outras variáveis, externas, mas tão importantes como as externas...

    E pronto, está a provocação feita :)

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  12. Boa tarde a todos, obrigada pelos comentários. Aqui vai feedback:

    Fiquei contente pela referência q tanto a Lisete como a Ana Pestana fazem à incerteza. Não estou certa q se estivessem a referir às dimensões psicológicas da incerteza, tema q, pela sua pertinência,tem recebido grande atenção por parte da produção empírica (Casanova, Pacheco & Coimbra,2009; Marris, P.,1996)). Por outro lado há já investigação que estuda as relações entre vivência da incerteza como parte da transição- constata-se a experiência profissional determina com maior impacto os significados atribuídos ao trabalho do que a vivência psicológica da incerteza. Deixo uma pergunta à Lisete: acha q ainda há espaço para as 'competências de empregabilidade'? Esteve mto bem a chamar a atenção para a dimensão não estática da percepção de auto-eficácia (PAE).
    Por sua vez, a Teresa chama a atenção ao processo simultâneo de 'mais diplomados' e 'menor oferta de emprego'. Com efeito, tanto a Teresa como a Susana chamam a atenção ao encadear progressivo de mais elevados níveis de escolaridade. Isso tem um nome: chama-se efeito de parqueamento, como lhe chamou André Gorz, na medida em q, face a 1 estrutura ocupacional desequilibrada, pretende-se 'estacionar' a nova mão de obra a entrar no mercado com mais escolaridade, 'entretendo-os' com mais formação. Esteve tb bem a Teresa quando sublinhou a necessidade do realismo na PAE, pese embora não tenha descrito os tais 3 modelos circulares.

    Diz a Ana que hoje em dia vive-se 1 clima de incerteza relativamente ao significado e ao valor do diploma no ensino superior (ES). É verdade que se introduziu essa discussão na agenda mediática, mas na prática isso obedece apenas a motivos com origem nos stakeholders, interessados no ES como fábrica de empregados. Por 1 lado, os diplomados do ES continuam a ter a menor tx de desemprego; por outro lado, esta assiste-se à mercantilização do Ensino Superior. E onde está o papel do desenvolvimento intelectual, conhecimento do mundo, de si ppo?
    Simultaneamente, discordo que a preocupação seja linearmente relacionada com maior mobilização de recursos, porque a ruminação (preocupação disfuncional) pode ser bloqueadora da acção. Mas sublinha a Ana e muito bem: a PAE n corresponde necessariamente à qualidade no desempenho. É possível, até, q coloque a funcionar o sujeito a um nível bem acima das suas reais capacidades...

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  13. Parte 2
    Quanto à susana: o que é a 'pretensa globalização'? e, dentro do discurso biográfico (q, apesar de aplicar a casos concretos, não recomendo), acho que negligenciou o facto de estarmos a falar de 'percepção de', necessariamente subjectiva, portanto necessariamente decorrente da experiência com as barreiras ambientais, os tais obstáculos macro-estruturais com q nos deparamos. Isto é: a PAE implica capacidade de negociação com as barreiras ambientais (tal como foi dito na aula e consta dos slides). Naturalmente, não há PAE sem ajustamento à realidade.

    Adianta a Carla, e na minha opinião bem, que o contacto com o mercado deve ser feito muito antes do fim do curso. Tal como o nosso desenvolvimento psicológico, também o nosso desenvolvimento vocacional é feito ao longo de todo o ciclo vital (Super). Contudo não é líquido para mim que 'os jovens adultos na transição para o mundo laboral têm de tentar ajustar a sua PAE à realidade laboral'. Fez uma excelente interligação entre PAE e exploração e os conteúdos da aula qd faz referência aos achievers de Marcia.

    O Moisés começa por identificar a PAE como mediadora do investimento e a mobilização de recursos internos. Fê-lo mto bem, pq um dos erros mais comuns é pensar-se n1 relação linear entre PAE e desempenho. No entanto, aquilo q o Moisés diz não se limita à dimensão vocacional, mas a todas as dimensões do funcionamento psicológico. Quanto à primeira questão que coloca: "Se a auto-eficácia também é fruto de aprendizagens vicariantes e de experiências nossas não será possível que uma auto-eficácia alta possa tornar-se uma baixa auto-eficácia?", isto remete-nos para o carácter dinâmico e não cristalizado da PAE, é fruto da interacção entre o individual e o ambiental. E quanto à provocação que deixou (venham elas!!!) estou de acordo, se for uma PAE ilusória. (gostava de conhecer o estudo a q fez referência).

    Grosso modo, gostei dos vossos comentários. Procurem um registo mais intencionalizado na reflexão, fazendo interligações com outras partes da matéria. A nossa disciplina é inteiramente sistémica! :)

    Até breve,
    Ana Martins

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  14. Como vê professora, a minha insegurança tinha uma base sólida. Afinal, de que serve andar a comentar comentários se o meu comentário e racioncínio não agrada nem vai ao encontro daquilo que a professora pretende! Não é fácil prosseguir um trabalho quando não se é da área, nem trão pouco quando as minhas dificuldades parecem não ser relevantes. para mim são, pois não me inscrevi no mestrado para passar tempo e levo muito a sério as minhas disciplinas e trabalhos que tenho de operar.

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  15. Estou a um passo de desistir porque me estou a sentir desmotivada. Até então nada tem havido (nenhum feedback) que me faça prosseguir. Farto-me de fazer pesquisa bibliográfica sobre os artigos, faço uso dessa pesquisa… não entendo que comentar algo seja fazer um resumo sobre o mesmo. Utilizei a minha experiência para fazer um dos comentários (e que em nada tem que ver com a minha vida efectivamente), porque foi a melhor maneira que encontrei para realizar a actividade (não entendo também porque não posso utilizar uma história, se esta for ao encontro dos conteúdos-porque não?!); e mais frustrada fico ao saber que uma das maiores preocupações reside no facto de ter referido "pretensa globalização". É a minha opinião e julgo que a individualidade exista para ser respeitada. Não somos todos iguais. E essa terminologia foi dita em tom crítico, que, visivelmente, não funcionou. Quanto à percepção, o meu comentário está repleto de referências indirectas e subliminares a esta questão. Estou confusa…

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  16. Como tal, os meus resultados têm sido completamente infrutíferos. E continuo sem saber o que devo fazer para melhorar. Bom, vou tentar ir ao encontro do que a professora pretende. Desejo que tenha consciência que, apesar de estar profundamente desamparada, tenho o dado o meu melhor!

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  17. Ah, mais ainda, sendo que só agora reparei, aparentemente o meu comentário, já para não dizer os de outros colegas (outras aliás) não foram determinantes para que a professora desta vez efectuasse os seus comentários. Lamento ainda mais pois irrefuta a minha ideia de que efectivamente a minha actividade neste blog não é pertinente e pelos vistos, servirá apenas um propósito que é realizar uma actividade da disciplina, e não haver interacção com os colegas. Logo eu, que tanto me preocupei em que todos fizessem o seu comentário para estarmos todos enquadrados.

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  18. “Deixo uma pergunta à Lisete: acha q ainda há espaço para as 'competências de empregabilidade'?”
    Segue a resposta:
    O emagrecimento dos postos de trabalho, e até mesmo a precariedade dos mesmos são fruto do actual contexto sócio-económico, o que deixa pouquíssimo espaço para as competências de empregabilidade do indivíduo.
    Lamentavelmente nos dias de hoje há factores que se sobrepõem as capacidades do sujeito e as suas aptidões, e a obtenção de um emprego depende pouco, e cada vez menos, do sujeito.
    Contudo, quero acreditar que embora escasso, ainda exista espaço para as competências de empregabilidade, e que esse é um passo importante na escolha vocacional. Não quero com isto dizer que haja linearidade entre as competências de empregabilidade e conquista de um emprego, mas penso que um sujeito dotado de competências de empregabilidade está mais preparado para entrar na contenda que é hoje o mercado de trabalho.

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  19. Gostaria de saber mais e estudar um pouco sobre o "efeito de parqueamento, como lhe chamou André Gorz" a que faz referência a professora Ana Martins. Recomenda algo em especifico?

    Sobre o estudo a que fiz referência... creio que na altura referi ter dito "li em algum sítio". Bom, é isso mesmo, na verdade não sei onde o li, mas vou tentar vasculhar as minhas coisas para encontrar a referência.

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