segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Estilos de vinculação, orientação para o trabalho e relações profissionais

Hazan e Shaver (1990), num artigo denominado “Love and work: An attachment theoretical
perspective”, encontraram consistentes diferenças individuais entre significados atribuídos ao
trabalho e padrões relacionais de vinculação descritos por Ainsworth e colaboradores
(1978). Essas consistências vão no sentido de o trabalho ser um domínio claramente
marcado pela necessidade de exploração do “mundo exterior”, tornando claras as ligações
entre exploração-padrões de vinculação. Os autores constataram, por exemplo, que sujeitos
com padrões vinculativos seguros terão a percepção de orientação segura em relação ao
trabalho. Apresentam, genericamente, altos níveis de sucesso e satisfação profissional,
menos medos relacionados com o rendimento, mantendo, no entanto, hábitos de trabalho
que não coloquem em causa as outras relações extra-trabalho, culminando com uma maior
percepção de bem-estar geral. Por outro lado, sujeitos ansioso-ambivalentes terão uma
orientação para o trabalho que inclui trabalhar com outros e não sozinhos, tendência para
idealizar o sucesso (como garante do reconhecimento dos outros), medo do falhanço e
perda da estima dos outros. Têm tendência a não conseguir acabar projectos, dificuldade em
lidar com datas limite e rendimento profissional baixo. Tendem a desleixar-se quando
recebem um elogio (uma vez que este é o principal objectivo), a sua principal motivação é
ganhar o respeito e admiração dos outros, tendo por base de actuação o medo de rejeição.
Por fim, sujeitos ansioso-evitantes utilizam a exploração como forma de se manterem
ocupados, evitando interacções desconfortáveis com os outros. Tendem a preferir trabalhar
sozinhos, usam o trabalho como desculpa para evitar socializar – apetência especial para
trabalharem durante as férias e sentirem-se nervosos quando não estão a trabalhar.
Continuam a trabalhar da mesma forma, mesmo quando tal é feito à custa da sua própria
saúde e das suas relações, utilizando o trabalho como desculpa para evitamento da
interacção social.

Com base num estudo semelhante, mas de âmbito nacional, proponho-vos a leitura deste artigo de Fonseca, Soares e Martins (2006), que cruza as temáticas da vinculação e dos significados atribuídos ao trabalho.


Deadline: próxima 2ª feira, 19/Dezembro.
Fico a aguardar pelos vossos comentários, boas leituras!


18 comentários:

  1. O estudo de Fonseca, Soares e Martins parece confirmar os resultados de Hazan e Shaver, mostrando uma relação significativa entre estilos de vinculação e orientação face ao trabalho, ou atribuição de significados ao trabalho.

    Sem querer fazer um resumo do artigo em si, parece-me importante relevar a dialéctica da exploração e vinculação. Isto porque – extrapolando do artigo – me parecem os sistemas comportamentais que depois influenciam a atribuição (subjectiva, claro está) de significados ao trabalho. Isto é, alguém com vinculação segura, procura no trabalho a realização da exploração; alguém com vinculação insegura (com principal relevância para os ambivalentes) procuram no trabalho um meio para a vinculação, para a satisfação do desejo de ser elogiado, de fazer parte... Por isso é que o primeiro não está tão preocupado com o seu desempenho ou com as avaliações dos outros, porque o seu fim é a exploração e não a vinculação; o inverso acontece com o inseguro ambivalente.

    Surge-me, no entanto, uma questão: o inseguro evitante centra-se (neste caso) no trabalho como forma de ocupação, pois esse é até um meio de evitar contactos pessoais... Neste caso está a activar o seu sistema de exploração ou procura apenas evitar a vinculação?

    Na sua orientação para o trabalho seria interessante cruzar alguns destes conceitos com outros constructos, nomeadamente os sugeridos por Marcia para os estádios de desenvolvimento. É possível estabelecer esta relação?!

    Isto porque por um lado, os estádios de desenvolvimento de Marcia parecem estabelecer alguma relação com estilos de vinculação (se há uns mais exploradores, ao mesmo tempo há outros mais procrastinadores); por outro lado, porque Marcia introduz um outro conceito que é o de investimento, que me parecia interessante associar à vinculação/exploração. Se me parece que posso inferir que os sujeitos seguros parecem fazer investimento (e não só exploração) – considerando que obtêm sucesso, considerando a sua satisfação para com o trabalho, etc. - já não posso estar tão certo para os sujeitos evitantes... Que parecem fazer investimento no trabalho (pela sua centração no mesmo), mas mais uma vez fico com a dúvida de que façam exploração...

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  2. O referido estudo pretende perceber se existe relação entre os estilos de vinculação e a ligação que o individuo tem com o trabalho. Se o estilo de vinculação influencia na maneira como o individuo encara o trabalho, e as suas relações profissionais.
    Tendo como premissa a vinculação numa perspectiva desenvolvimental, o processo de vinculação pode ser simultaneamente sinónimo de estabilidade e mudança. A vinculação é um processo adaptativo quer de manutenção quer de transformação, às exigências internas ou externas do sujeito. Como menciona o estudo, a vinculação está estreitamente ligada a exploração. A exploração funciona de modo complementar ao sistema de vinculação, se a activação do sistema de vinculação aumenta de intensidade, diminui a activação do sistema exploratório. A pertinência deste estudo está na patente necessidade de exploração no domínio do trabalho o que torna evidente as ligações exploração-padrões de vinculação.
    Hazan e Shaver (1987), Shaver e Hazan (1988) e Shaver, Hazan e Bradshaw (1988) identificaram três diferentes estilos de vinculação: seguro, inseguro-ambivalente e inseguro-evitante, que correspondem por sua vez a comportamentos exploratórios distintos. Sendo que, o comportamento de exploração em indivíduos com estilo de vinculação seguro tem uma percepção de orientação segura em relação ao trabalho, acreditam no bom desempenho do seu trabalho e apresentação maiores níveis de satisfação para com este. Possuem comportamentos adaptados a um bom relacionamento com o trabalho e com os colegas. Os indivíduos com estilo de vinculação inseguro evitante utilizam a exploração como forma a se manterem ocupados, trabalham de forma compulsiva, evitam proximidade e preferem trabalhar sozinhos. Dificilmente se sentem realizados a nível profissional, apesar de trabalharem incessantemente, tem tendência a ser workaholics. Os indivíduos com estilo de vinculação inseguro ansioso/ambivalente têm comportamentos de exploração de forma a chamar a atenção, e a obter o reconhecimento dos outros. São indivíduos inseguros, que receiam a rejeição, e cuja principal motivação é ganhar o respeito pelos outros.
    Resumindo, os indivíduos com estilos de vinculação seguros apresentam maiores níveis de satisfação relativamente ao contexto profissional do que os indivíduos com estilo de vinculação ansioso/ambivalente ou evitante.
    Numa breve revisão aos posts anteriores, há uma noção que claramente perpassa, a contingência do actual mercado trabalho, e a formas como o individuo procede ou poderá proceder perante essa realidade. Neste caso falámos da necessidade de exploração. Se indivíduos com estilo de vinculação do tipo seguro tem comportamentos exploratórios mais adaptados e eficazes. Penso que faz sentido dizer que esses indivíduos, com estilo de vinculação seguros, terão também mais confiança neles próprios (auto-conceito) e, nas suas capacidades para realizar determinado tipo de tarefas (auto-eficácia).
    Surgiu uma questão com este estudo, será que indivíduos com estilos de vinculação inseguros não poderão desenvolver comportamentos exploratórios adequados? Penso que também é possível trabalhar e desenvolver comportamentos de exploração. Na minha opinião não existe uma ligação rígida entre os estilos de vinculação e os comportamentos exploratórios, mas apenas uma predisposição.

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  3. A vinculação decorre da relação privilegiada com uma figura específica que confere segurança e protecção, através dos cuidados que proporciona e das necessidades que satisfaz. Se essa figura realizar com regularidade esse papel, a figura vinculada pode desenvolver uma confiança e segurança básicas que lhe permitem desenvolver uma actividade de exploração do mundo envolvente.
    Bowlby postula que, para que o sujeito seja capaz de antecipar e lidar com as vicissitudes do meio/mundo, necessita da representação mental de um modelo do meio e de um modelo das suas competências e potencialidades.
    Nesse contexto, diferentes autores defendem que, tomando por base as experiências relacionais com as figuras de vinculação, os indivíduos desenvolvem representações mentais generalizadas sobre a forma como os outros serão responsivos e apoiantes, em circunstâncias de manifesta necessidade de apoio e cuidado. Uma vez desenvolvidas, estas representações, designadas Modelos Internos Dinâmicos (MID), passam a actuar de forma inconsciente, desempenhando um papel importante na modelagem da cognição, do afecto e do comportamento, em contextos que fomentem a activação de processos de vinculação.
    Indivíduos que apresentem MID seguros tendem a apresentar uma predisposição para
    percepcionar as suas interacções de uma forma mais favorável e apoiante, do que indivíduos cujos MID se caracterizam por uma forte insegurança. O processo de construção desta representação mental pode, também, influenciar significativamente a forma como são vivenciadas as situações de stress e os processos de coping, bem como o funcionamento relacional.
    Desde os primórdios da investigação em torno da vinculação, e apesar dos seus estudos
    se terem centrado sobretudo na avaliação da vinculação da criança aos pais e, particularmente à mãe, Bowlby nunca escondeu a convicção de que a importância da vinculação se fazia sentir ao longo de todo o ciclo de vida. Considerando a vinculação numa perspectiva de desenvolvimento do ciclo de vida, os diferentes contextos de vinculação, como as relações familiares, amorosas ou amizades íntimas, permitem que os indivíduos vivenciem experiências de continuidade e, ao mesmo tempo, de mudança, em função das exigências internas e externas com que se vêem confrontados, contribuindo para a consolidação de algumas crenças e emoções, assim como para a alteração de outras, alimentando, desse modo, os MID.

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  4. Hazan e Shaver (1990) defendem que os indivíduos com estilos de vinculação seguros retiram prazer da actividade profissional tendendo a não se atemorizarem com receio de falhar. Para além disso, eles valorizam bastante as suas relações não permitindo que o trabalho interfira com elas. Regra geral, pessoas cujo estilo vinculativo se assume como predominantemente seguro não costumam recorrer ao trabalho como forma de satisfazer necessidades insatisfeitas de amor, nem o utilizam como forma de evitar interacções sociais. A vinculação segura surge ainda, segundo os autores, associada a níveis de saúde e de bem-estar geral mais elevados, quando comparativamente com o constatado para indivíduos inseguros.
    Indivíduos ansiosos/ambivalentes referiram, segundo Hazan e Shaver (1990), que as preocupações com as relações, em particular as do foro amoroso, interferem regularmente com o desempenho profissional e que eles costumam sentir receio de serem rejeitados em função desses maus desempenhos. Para além disso, parecem reagir mal aos elogios, porquanto diminuem o seu empenho e concentração.
    Por fim, no que respeita aos indivíduos cujo estilo de vinculação dominante é o evitante, uma das principais características é o recurso ao trabalho como forma de evitar a interacção social. Eles referem que o trabalho interfere com a possibilidade de desenvolverem amizades, bem como vida social, assumindo menor satisfação com o seu trabalho.
    Este estudo realizado por Fonseca, Soares e Martins (2006), teve como objectivo analisar as relações entre os estilos de vinculação e a qualidade das relações profissionais e com o trabalho, e tais autores constataram, à semelhança de Hazan e Shaver (1990), a presença de uma relação significativa entre o estilo de vinculação e a orientação para o trabalho. A justificação poderá residir no facto de um indivíduo que tenha construído modelos internos do self como competente e merecedor de respeito e reconhecimento, poder estar mais motivado para percepcionar os outros e o próprio como disponíveis e dignos de confiança, o que poderá facilitar a exploração das oportunidades proporcionadas pelo contexto profissional. Assim, indivíduos com estilos de vinculação segura e evitante apresentam, na sua maioria, uma orientação segura para o trabalho, enquanto aqueles cujo estilo de vinculação é inseguro ansioso/ ambivalente manifestam uma orientação insegura-ansiosa/ambivalente no trabalho.
    Estabelecendo um paralelismo com a Teoria de Desenvolvimento da Identidade de Marcia parece-me que indivíduos com estilos de vinculação segura exploram e realizam investimento relativamente firme (achievers); contudo, já não terei tantas certezas quanto aos indivíduos evitantes que, apesar de apresentarem uma orientação segura para o trabalho, trabalhando arduamente e retirarem prazer do mesmo, será que também poderão ser considerados verdadeiros achievers, investem e exploram (mas com menor qualidade)?
    Por outro lado, se considerarmos as fontes de auto-eficácia identificadas por Brandura, relacionando-as com o apoio social, verificamos que quando o apoio social, na forma de uma figura vinculativa, está presente na vida infantil de uma criança, esta torna-se resistente, aprende a apoiar os outros e tem uma menor tendência para a psicopatologia na sua vida adulta. Para além disso, Bowlby conclui que ter apoio social disponível aumenta a capacidade de resistir e enfrentar frustrações, e de resolver problemas.
    Por tudo o que foi exposto, o estudo da vinculação no adolescente e no adulto dever-se-á assumir como uma forma de compreender um importante preditor de saúde, satisfação e bem-estar, na vida qualquer profissional ou familiar.

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  5. O estudo de Fonseca, Soares e Martins sobre os estilos de vinculação, orientação para o trabalho e relações profissionais relaciona os estilos de vinculação (seguro, inseguro-ansioso/ambivalente e inseguro/evitante) com a qualidade das relações profissionais e com o trabalho.
    Foi analisada uma amostra de 598 indivíduos, sendo 53% mulheres, a idade média de 34,5 anos, 34,8% possuía o ensino superior, a grande maioria pertencia à população activa e existiam mais sujeitos casados, o que correspondia a 51,5%.
    A partir da análise dos dados do estudo, identificou-se uma relação significativa entre o estilo de vinculação segura e a orientação para o trabalho segura, sendo que os indivíduos com um estilo de vinculação e orientação para o trabalho seguro manifestaram maior satisfação profissional, assim como, na sua adaptação ao trabalho.
    Teoricamente, a vinculação assume uma perspectiva desenvolvimental de assinalável valor para a compreensão do ciclo de vida dos indivíduos. Deste modo, implica continuidade e mudança (Sroufe, Egeland, Carlson & Collins, 2005), em que os diferentes contextos de vinculação (família, amigos e companheiros amorosos) podem gerar estabilidade e de manutenção dos modelos internos gerados anteriormente e, por outro lado, desencadearem mudanças e transformação através da integração de novos elementos, o que permite a adaptação desses modelos às exigências internas e externas que vão surgindo.
    É um processo que se inicia na infância e que vai ocorrendo ao longo da vida e são as dimensões centrais da personalidade que transformam a manifestação do sistema de vinculação, direccionando os padrões de respostas cognitivas, emocionais e comportamentais de acordo com os vários contextos da vida.
    Os sistemas comportamentais de vinculação e de exploração estão relacionados negativamente, na medida em que quando diminui o de vinculação, aumenta o de exploração. É ainda referido que é na infância que o sistema comportamental de vinculação é mais acentuado, pois representa à criança segurança, por outro lado, quando esta se sente segura vai sendo desactivado o sistema comportamental de vinculação e é activado o de exploração, o que permite a aprendizagem, mudança e inovação.
    Ao longo da vida os indivíduos vão criando relações novas de vinculação, destacando-se o papel dos amigos e do companheiro amoroso, podendo constituir laços afectivos duradouros. As novas figuras de vinculação não implicam a perda das anteriores, mas antes uma redefinição hierárquica das mesmas, que se manifesta claramente em situações adversas.
    Hazan e Shaver apresentam uma distribuição dos 3 estilos de vinculação (evitante, seguro, ansioso/ambivalente), sendo que para cada estilo os indivíduos apresentam um conjunto de características de personalidade, que condiciona a sua relação com o trabalho e com as suas relações profissionais.

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  6. Genericamente, os indivíduos com um estilo de vinculação segura estabelecem relações de proximidade facilmente, sentem-se confortáveis com a intimidade, têm uma relação de reciprocidade face ao sistema de prestação de cuidados, são seguros não temendo o abandono das figuras de vinculação, são sensíveis e responsivos em relação às necessidades que são experienciadas.
    Quanto ao estilo de vinculação inseguro-ansioso/ambivalente, as pessoas têm dificuldade no relacionamento de proximidade com as figuras de vinculação receando o seu afastamento e perda, estabelecem frequentemente relações assimétricas e revelam pouca flexibilidade na alternância de papéis, tanto cognitivamente como afectivamente.
    Finalmente no estilo de vinculação evitante, os indivíduos revelam um desconforto relativamente às relações de proximidade e intimidade com as figuras significativas o que os leva a evitá-los, geralmente são desconfiados e consideram o cuidar e ser cuidado como uma dependência, evitando igualmente estas situações.
    As conclusões do estudo demonstraram que a maioria dos indivíduos se identifica com o estilo de vinculação segura (67,4%), sendo que os ansiosos/ambivalentes foram 17,2% e, por fim, os evitantes com 15,4%, indo de encontro às teorias americanas.
    Relativamente à orientação para o trabalho, 66,5% têm uma orientação segura, 25,6% apresentam uma orientação ansiosa/ambivalente e finalmente 7,9% uma orientação evitante.
    A análise destas 2 variáveis demonstra que há uma relação positiva significante entre elas.
    Em termos de orientação e satisfação do trabalho, os indivíduos com uma orientação segura apresentam maiores índices de satisfação e melhor adaptação e vice-versa.
    Os indivíduos de orientação insegura para o trabalho revelam ter mais receio em falhar e preferem trabalhar com outros, sendo que os de orientação insegura-ansiosa/ambivalente apresentam maior índice destas variáveis do que os de orientação insegura/evitante.
    Para estes indivíduos o medo de falhar implica uma elevada percepção de que o trabalho individual não é reconhecido pelos colegas e a motivação aparece ligada à aprovação dos superiores hierárquicos e dos pares.
    Da mesma forma que o estudo de Hazan e Shaver (1990), relevou haver uma relação com significância entre o estilo de vinculação e a orientação para o trabalho, sendo que os indivíduos com modelos do self como competentes e capazes de gerarem comportamentos positivos nos outros, com valor e merecedores de afecto, percepcionam os outros como disponíveis, responsivos e de confiança, o que leva a ter uma maior segurança e, portanto, maior exploração das oportunidades.
    A maioria dos indivíduos com estilos de vinculação segura e evitante apresentam uma orientação segura no trabalho.
    Por outro lado, a maioria dos indivíduos com estilo de vinculação inseguro-ansioso/ambivalente apresenta uma orientação no trabalho da mesma forma, ou seja, uma orientação insegura-ansiosa/ambivalente.

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  7. As limitações apontadas deste estudo são a medida do estilo de vinculação, pois tratando-se de um estudo quantitativo, implica a perda de informação qualitativa. A análise do contexto profissional deveria ter sido mais aprofundada, exigindo instrumentos de avaliação mais complexos e compeensivos, em que deveriam ter sido analisados igualmente os padrões de vinculação e não apenas os estilos, relacionando-os com os comportamentos, sentimentos e atitudes face ao contexto de trabalho.
    Concluindo, considero este estudo muito pertinente e elucidativo sobre a forma como se relacionam os estilos de vinculação com a qualidade das relações profissionais e com o trabalho. Os resultados alcançados foram significativos e permitiram estabelecer relações causais entres as variáveis, sendo que para cada estilo de vinculação haveria um tipo de orientação no trabalho.
    Ponho em causa que o individuo como ser complexo e em mutação, pode possuir mais do que um estilo de vinculação e orientação para o trabalho. O contexto em que ele se depara influencia grandemente a sua orientação para o trabalho, o que o leva a adoptar diferentes estilos de vinculação conforme as circunstâncias, influenciando a sua exploração, motivação, relacionamento com os outros e receio ou confiança nas suas acções.
    Concordo que há um estilo de vinculação que seja mais evidente, mas pelo processo de socialização que envolve a experiência, aprendizagem e contacto com terceiros pode ser modificado, muitas vezes de forma intencional, assim como a orientação para o trabalho e relacionamento com os outros.

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  8. Olá a todos, ainda faltam alguns comentários, mas aqui vai para feedback:

    - Moisés:

    No que toca à dialéctica entre vinculação e exploração: assim como Bowlby (1988) falava da importância dos comportamentos exploratórios da criança, Hazan e Shaver propõem que o trabalho contemporâneo poderá ser também o contexto de exploração por excelência do adulto, nomeadamente pelo facto de essa experiência poder contribuir para o seu sentido de mestria. Assim se justifica que o contexto de trabalho possa ser considerado uma ocasião privilegiada de desenvolvimento psicológico. Um entre outros: não é a única forma de exploração na idade adulta (e.g., outros domínios da vida, como é o caso do contexto familiar ou de pares). Para aprendermos a ser psicologicamente competentes na relação com o mundo que nos rodeia, temos de explorar. Mas explorar pode implicar medo, risco, cansaço e ameaça, situações em que o nosso sistema de vinculação é activado. O
    comportamento exploratório, donde advém o sentido de mestria, é optimizado, então, pela
    percepção de uma base segura que funcione como incentivo à exploração e, simultaneamente, de um porto seguro a quem recorrer em momentos de maior vulnerabilidade. Vários estudos demonstraram que a satisfação numa determinada
    dimensão da nossa vida é associada à satisfação na outra (e.g., Baruch, Barnett & Rivers,
    1983; Lee & Kanungo, 1984). Assim, parece plausível que as dinâmicas de vinculação que nos
    caracterizam em determinados contextos possam também fazer a forma e o conteúdo da nossa vivência do contexto de trabalho.

    Diz o Moisés que os sujeitos "de vinculação insegura procuram no trabalho um meio para a vinculação". A vinculação nunca é variável dependente, existe sempre à priori da nossa actividade, pq nasce connosco (é 1 estratégia de sobrevivência para o bébé a ligação à mãe). Por outro lado, embora alguns investigadores se dediquem a procurar 'a vinculação ao trabalho', trata-se de um conceito que levanta, pelo menos, muitas dúvidas - já que há critérios para se ser uma figura de vinculação (a maior parte das relações não são de vinculação).O que acontece com o ansioso-ambivalente é q estes sujeitos são caracterizados por elevada desejabilidade social, pelo q encontram no trabalho uma forma de serem apreciados (trabalho como 1 meio, não um fim).

    Quanto à sua questão sobre o inseguro-evitante, como lhe disse, a vinculação n se evita. no caso destes, o seu sistema comportamental de vinculação está desactivado (ao contrário dos outros, q está hiperactivado). Como está desactivado, há desvalorização da importância das relações significativas (n é linear q nunca as tenham, até pq a vinculação tem 1 carácter dinâmico).

    Foi interessante fazer uma interligação com Marcia (como todos ou quase todos fizeram), mas apenas podemos dizer que há semelhanças entre a descrição de uma vinculação segura e o achiever de Marcia. Até porque as dimensões base da vinculação são a ansiedade e a dependência no contexto de relações de vinculação, diferentes das dimensões base de Marcia - exploração e investimento.

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  9. Lisete:

    Encontrou a forma mais correcta de fazer a leitura do estudo português. Sim, existem relações (estatisticamente) significativas entre vinculação e trabalho, mas teoricamente deve ser formulada como a colocou: "se o estilo de vinculação influencia a forma como o indivíduo encara o trabalho..."

    Sublinhou também algo de verdadeiramente importante: "Tendo como premissa a vinculação numa perspectiva desenvolvimental, o processo de vinculação pode ser simultaneamente sinónimo de estabilidade e mudança. A vinculação é um processo adaptativo quer de manutenção quer de transformação, às exigências internas ou externas do sujeito." Há a tendência de fazer leituras lineares e determinísticas (o seguro é x, o ambivalente é y e são sempre assim), e n é de todo o objectivo da teoria da vinculação.

    Fez uma boa descrição sobre os principais resultados a reter e, mais do que isso, tornou clara a relação entre exploração e o trabalho como hoje o temos.

    Face às questões q muito bem abordou, seria interessante que fosse capaz de estabelecer mais interligações conceptuais e identificar as limitações, implicações e mais valias deste estudo.

    Ana Pestana:
    Excelente paralelismo conceptual com a teoria de desenvolvimento de identidade de Marcia. Partilho das suas dúvidas sobre se os evitantes podem ser considerados verdadeiros achievers, é uma boa questão, não há sobreposição linear. Na verdade, há que ter em conta que todos os estilos/padrões de vinculação têm a sua função adaptativa e desadaptativa.

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  10. Teresa:
    gostei da sumarização, mas precisava de mais reflexão crítica. Por exemplo, nas implicações destes resultados para as organizações.

    Por outro lado, afirma "Os sistemas comportamentais de vinculação e de exploração estão relacionados negativamente, na medida em que quando diminui o de vinculação, aumenta o de exploração." A relação n é assim que se processa: se o sistema é activado, pelos perigos e percepção de ameaça, e não há 1 figura que acalme esta situação, o sujeito entra em hiperactivação do sistema, fazendo elevar os seus níveis de ansiedade (na vinculação, é diferente da ansiedade "perturbação").POr outro lado, o sistema nc é completamente desactivado, pq é aí q a mudança ocorre.

    Por outro lado, gostaria que me explicasse melhor pq considera que uma das limitações deste estudo consiste em não terem sido analisados os padrões de vinculação e não apenas os estilos.

    (e não, os estilos de vinculação não variam consoante as circunstâncias...os estilos de vinculação são estruturais (os MID).

    Mas gostei!

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  11. Introdução e Teoria: Fonseca, Soares e Martins (2006), tendo como referência a Teoria da Vinculação de Bowlby, J. (1962/1989), elaboraram um estudo com base nos pressupostos da teoria e procuraram a sua ligação aos significados incutidos ao trabalho pelo sujeito, desta feita, num contexto da realidade social portuguesa. Numa amostra de pouco mais de cinco centenas de sujeitos, aplicaram os instrumentos genericamente utilizados na investigação do tema e verificaram nada mais que a irrefutação dos dados anteriormente constatados. A Teoria da Vinculação, estuda e enquadra o ser humano nos vários tipos de relações que mantém, ou subentende, sejam elas de várias naturezas e origem. A Teoria da Vinculação postula que a propensão para o estabelecimento de uma relação de proximidade -que se inicia na infância inicialmente entre crianças e os seus progenitores- com outro que cuida do sujeito, é algo de fundamental e biologicamente determinado. Esta relação de vinculação constrói-se progressivamente, e assume-se que este sistema está geneticamente determinado como sendo sensível ao meio envolvente. Esta questão parece explicar porque diferentes estratégias de vinculação possam ter um valor adaptativo equivalente em diferentes meios. Bowlby referia muitas vezes que a vinculação era um processo que acompanhava o ser humano da nascença até à morte (Ribeiro & Sousa, 2002). Foi juntamente com a sua colega Ainsworth que criaram a Teoria nos seus remates (quase) finais. Ainsworth (1989) focou-se nas questões direccionadas à segurança do sujeito vinculado, sendo que na sua perspectiva, a procura de proximidade, a noção de base de segurança, a necessidade de retorno à fonte de segurança quando o indivíduo se sente ameaçado e as reacções de prazer na relação e angústia perante a separação (involuntária ou forçada), são características que distinguem as relações de vinculação de outro tipo de relações. Na definição de Ainsworth (1989), citada em Bee (1996), tais expressões referem-se, na verdade, a um vínculo afectivo desenvolvido pelo indivíduo em relação a um parceiro que, pela sua importância, deseja-se que esteja sempre próximo e que não pode ser substituído por nenhum outro.
    No seu estudo, Fonseca e os colegas dão em primeiro entendimento da temática, contextualizando o processo ou sistema comportamental de vinculação ao longo das várias fases de desenvolvimento do ser humano, dissertando como a criação desse elo de ligação se desenrola com características transversais a todas e específicas a cada, e referem os sujeitos objecto de vinculação ao longo das mesmas. O estudo do processo de vinculação permitiu dividir o sujeito social adulto, na abordagem mais comum em três categorias (modelo original de Aisnworth e al, 1978, citado por Canavarro e tal., 2006), e mais tarde adoptada por Hazan e Shaver (1987) em 3 categorias (Shaver, Hazan e Bradshaw, 1988) de estilos: seguro, inseguro ansioso ambivalente e o estilo evitante. Outros autores consideram uma terminologia diferente e mais integrada na realidade actual e aceitam mais um estilo de vinculação (Bartolomeu, 1990, citada por Feeney &Noller, 1996; Bartholomew e Horowitz, 1991): Seguro, Preocupado, Desligado ou Evitante-Desligado e Receoso ou Evitante-Amedrontado, cruzando as variáveis positivas e negativas quer do Modelo do Outro com e quer o Modelo do Self. Machado, T. (2008) muito recentemente, contribui na investigação, referindo que a Teoria da Vinculação se encontra dividida em quatro subsistemas, Sistema de vinculação, sistema exploratório, sistema medo-angústia, e o mais recente, sistema caregiving, e permite igualmente dividir em categorias de clarificação os sujeitos vinculados. Main, investigador desta área, também adoptou inicialmente um modelo tripartido, onde mais tarde incluiu uma quarta categoria: “autónomo”, “desligado”, “preocupado” e a classificação suplementar “unresolved” (Main et al., 1985), habitualmente associada a perdas ou situações traumáticas.

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  12. A Teoria e o Trabalho: actualmente, a realidade em todos o seus contextos, social, económica, cultural, tem sofrido transformações ao ponto de provocar mudanças substancias em todos os meios que circundam o ser humano. O meio familiar tem sido um dos mais abalados. Em consequência, ou, até mesmo, como efeito, o trabalho e a qualidade, caracterização, significação desta variável, tornou-se um dos maiores objectos de preocupação do ser humano, tendo em conta as questões já tanto referidas, insegurança, incerteza, falência de valores, que levam inexoravelmente à desmotivação, à falta de compromisso, à necessidade de exploração, e neste raciocínio, quem é a causa, e quem é efeito?! Surge portanto a urgência de adaptação por parte do sujeito social (familiar) às constantes alterações e inconstâncias da sociedade. Há que haver uma racionalização sobre o processo e reconstruir os papes sociais de maneira a possibilitar a colmatação das exigências actuais. A identidade do sujeito assim como o processo que promove o seu desenvolvimento, como temos vindo a assistir ao longo destes artigos, assenta-se fundamentalmente nas suas experiências, sobretudo nos contextos familiares, amoroso e de trabalho. Sendo que o desenvolvimento da vinculação e estabelecimentos de figuras de vinculação são factores fundamentais para o desenvolvimento, pretenda-se saudável, do sujeito, estudar e relacionar o processo com o contexto de trabalho, em todas as suas variáveis, é portanto, algo imperativo. Neste seguimento, os nossos autores relacionaram a Teoria da Vinculação ao factor trabalho no nosso país “considerando consideravelmente” a capacidade de exploração do ser enquanto explorador, ou mais cientificamente, considerando o sistema comportamental de exploração que funciona de modo complementar que o sistema de vinculação (Ainsworth & Bell, 1970), relação essa que funciona de maneira de inversa: com o aumento da vinculação, há uma diminuição do processo exploratório e vice-versa. O direccionamento da pesquisa neste sentido é de pertinente importância, sendo que, tal como já vimos em artigos anteriores, a capacidade exploratória do ser humano é uma qualidade de extrema importância do mesmo, sobretudo no que concerne à aprendizagem do sujeito, que neste caso é condicionada negativamente se esta interligação de sistemas for recorrente.

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  13. Conclusões e Considerações (aparentes) do(s) estudo (s): considerando os estilos de Hazan, Shaver e Bradshaw (1998), Fonseca e Colegas (2006), caracterizaram os sujeitos estudados dentro das três categorias sugeridas: os sujeitos classificados com um estilo de vinculação segura, caracterizados por manterem relações de proximidade com os outros e por se sentiram confortáveis com a intimidade que lhes é inerente e com a autonomia. De acordo com os autores, os indivíduos com este estilo de vinculação têm auto-relatos de sucesso e de satisfação laboral, não receiam tanto falhar e a sua preocupação para com o próprio desempenho é menor. Não temem a avaliação dos colegas e apreciam por outro lado as recompensas. Relativamente à capacidade de exploração, esta é apreciada, logo, o sistema de vinculação está definitivamente estabelecido, o que permite estabelecer relações de proximidade e exploração, que é a mais activa dos estilos. Hazan e Shaver (1990) defendem que estes indivíduos sentem prazer na sua profissão, valorizam bastante as suas relações não permitindo que o trabalho interfira com elas e não costumam recorrer ao trabalho como forma de satisfazer necessidades insatisfeitas de amor, nem o utilizam como forma de evitar interacções sociais.

    Relativamente ao segundo estilo, ansiosos/ambivalente, estes sujeitos têm uma grande necessidade de aproximação e por conseguinte receiam que esta “lacuna” leve as pessoas a afastarem-se de si e a não conseguir criar amigos. As relações que estabelece parecem ser de carácter unidireccional, pois ou cuida, ou é cuidado e nas relações de proximidade gerem estas na tentativa de tornarem mais eficaz o processo de exploração. Esta é usada para atrair atenção e aprovação do objecto de vinculação, uma vez que as necessidades de vinculação ainda não estão satisfeitas. Indivíduos ansiosos/ambivalentes referiram, segundo Hazan e Shaver (1990), que as preocupações com as relações, em particular as do foro amoroso, interferem regularmente com o desempenho profissional e que eles costumam sentir receio de serem rejeitados em função desses maus desempenhos. Para além disso, parecem reagir mal aos elogios, porquanto diminuem o seu empenho e concentração.
    O terceiro estilo remete-se para sujeitos que parecem ter características de um ser solitário. Sentem-se incomodados pela proximidade e intimidade de pessoas que são muitas vezes estabelecidas ao longo do seu percurso, como acontece no contexto familiar, no contexto escolar e no contexto profissional. Não são desconfiados, mas são propensos a não confiar, não gostam de ser cuidados ao mesmo tempo que evitam ter alguém ao seu cuidado. No trabalho procuram-se distrair-se e evitar confrontos com outros abstraindo-se nas tarefas. Hazan e Shaver (1990) consideram que na exploração estes indivíduos preferem ser independentes nas suas actividades e trabalhas sozinhos, assim como optam por manter as férias ocupadas com o trabalho no sentido de evitar socializarem e conviverem.
    Outras questões pertinentes do estudo dos nossos autores, foi que estes não encontraram qualquer associação entre os estilos de vinculação e o género (pág. 9) e evidenciaram que na amostra portuguesa, a percentagem de indivíduos com estilo ansioso/ambivalente é superior à dos evitantes (pág.15).

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  14. Os Pós e os Contras: o segundo estilo parece-me ser o estilo que mais se centra nas questões exteriores a si. Este sujeito não parece viver a sua vida, ou pelo menos “sua vida” na sua “totalidade”, pois está muito centrado em agradar. Esquece-se dos aspectos que lhe poderiam conferir desenvolvimento pessoal, sendo que para este desenvolvimento a vertente profissional presta um enorme contributo. O sujeito não se realiza para e em si, mas sim nas suas figuras de vinculação. Não explora, não investe (a não ser que as figuras o direccionem nesse sentido) e não tem uma autonomia nesta sua vertente de vida, pelo que provavelmente lhe será bem mais difícil lidar com situações novas, com o stress, com as modificações, etc. Parece depender das figuras de vinculação, tal como é mais característico nas crianças, Se acontecerá se as figuras de vinculação depressa desaparecerem? Saltará para outras figuras?! Provavelmente. Haverá tempo para criar novos elos de ligação?! Não creio que o consiga antes de entrar em declínio. Neste adulto, o processo de vinculação não parece ser um indicador importante de satisfação e bem-estar (embora o sujeito o percepcione naturalmente como tal), particularmente na vida profissional. No entanto nada parece indicar que não possa obter sucesso e não consiga desenvolver estratégias para ultrapassar situações de desconforto. Se de facto a sua figura for independente e bem integrada no contexto de trabalho, poderá criar um sistema de auto-luta/defesa para suportar as situações adversas com se vai deparando no dia-a-dia. Por outro lado, seguindo este raciocínio, necessitará de várias figuras de vinculação para que possa lidar com as vicissitudes permanentes sendo que as probabilidades de que uma só figura esteja “presente” em todos os ambientes da sua vida é quase impossível.
    No entanto, talvez mais do que os sujeitos do segundo estilo, os níveis de saúde e bem-estar geral do primeiro estilo parecem estar mais comprometidos no seu desenvolvimento, uma vez que esses evitam forçosamente relações de reciprocidade, logo trocas de experiência, condições incontestavelmente determinantes no processo de desenvolvimento em todas as suas vertentes do ser humano. A capacidade de exploração destes indivíduos, a meu entender, não é uma tarefa saudável. Além disso, como mostra o estudo de Fonseca e al. (2006).
    Já pelo contrário, a vinculação segura surge associada a um elevado grau de satisfação, autonomia e exploração. Serão estes os sujeitos que provavelmente melhor lidará com as adversidades do mundo do mercado actual, quer nos momentos de transição, quer nos momentos de continuidade de e em um contexto. Este primeiro estilo é claramente o Achiever de Marcia, o bem sucedido, o que procura, e também o mais desejado (ainda que não o conheçam como um estilo de entendimento das características humanas e de estudo na ciência Psicologia) por qualquer trabalhador que procure desenvolve-se na sua actividade profissional (e noutros campos da sua vida).

    Outro factor relevante que me apercebi na minha pesquisa literária, é que, a vinculação desempenha um papel fundamental no processo através do qual os indivíduos avaliam os recursos pessoais e interpessoais de que dispõem contribuindo, por conseguinte, para um maior ou menor sucesso no coping face a situações potencialmente stressantes (Collins & Feeney, 2004). Em interacção e juntamente com a teoria do stress e coping- conjunto de “acções cognitivas e comportamentais que visam a mudança, reinterpretação ou redução das emoções negativas ou dos factores do meio responsáveis por essas emoções” (Buunk et al., 1998, p. 162)-,preconizada por Lazarus e Folkman (1984) tem assumido grande preponderância, a Teoria da Vinculação assume um papel muito importante no entendimento das relações do sujeito com o trabalho.

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  15. A Nossa Realidade: Sendo que o nosso estudo conclui que uma grande parte dos sujeitos estudados, que representam a população portuguesa, se encontram incluídos no estilo de vinculação ansioso/ambivalente, insatisfeitos com as suas actividades profissionais, ou com o lugar hierárquico que ocupam nestas, consideram que são cada vez menos apreciados e o medo de falhar é uma contaste presente, será seguro afirmar que o adulto português se encontra de facto numa situação de insegurança face á sua situação profissional e provavelmente receio face ao futuro. A sociedade portuguesa parece encarar o trabalho como um meio para atingir algo e não, lamentavelmente, como um fim, como uma realização pessoal. Não será de estranhar a ruptura de relações familiares e um decréscimo na saúde e bem-estar, uma vez que estes sujeitos consideram que a actividade profissional prejudica as relações interpessoais e a saúde. A probabilidade dos seus pares serem da mesma opinião é grande tendo em conta o senso comum e daí a tendência à culpabilização recíproca quando os acontecimentos se direccionam por caminhos não desejados. O trabalhador português não parece ser merecedor de apreço, e por isso continua a investir e explorar no sentido de se sentir realizado pessoalmente. Tal não seria de todos negativo, se resultasse num processo em que o sujeito realizasse esta investida no sentido de melhorar o seu desenvolvimento e respondesse sinceramente às suas necessidades intrínsecas (e/ou extrínsecas) e não no sentido de colmatar algo que percepciona como sendo mais importante que ele próprio, mais até que a importância que dá aos seus entes, como é o julgamento dos outros perante o seu sucesso ou falta dele.
    Embora o processo de vinculação pareça ser algo ainda em aberto, será certo no entanto que prover o sujeito, de preferência antes da idade adulta, de instrumentos pessoais para que possa lidar com as questões de transformação de contextos. Parece ser óbvio que em sua maioria, os trabalhadores não conseguiram lidar com a evolução mundial e parece ser uma incógnita os responsáveis por dar soluções: pais, progenitores, educadores, professores, psicólogos, orientação escolar, orientação profissional, os próprios sujeitos?

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  16. Incursões e Limitações: este estudo não me permitiu entender, no entanto, qual é a causa e qual é o efeito, se a vinculação e efeito da personalidade ou da relação, e que direcção toma o processo.
    a)Tendo em conta determinado estilo de vinculação de um indivíduo, este determina a maneira com age face às situações diversas e adversas com que se vai deparando ao longo do seu percurso profissional, ou serão estas situações que ditam o estilo de um sujeito em determinado momento. Poderá um sujeito mudar de estilo de vinculação ao longo da vida? Eu aposto em ambos.
    Aliás, veja-se, que o desenvolvimento não é fixado, mas resultado da interacção entre a história cumulativa do sujeito, até esse momento, e as circunstâncias actuais em que ele se encontra, a mudança é possível, numa direcção mais favorável, ou pelo contrário, menos favorável, face a alterações no ambiente, nomeadamente, nos cuidados à criança, numa primeira instância, e a acontecimentos de vida reais, que tenham impacto na organização dos comportamentos, em particular, nos comportamentos de base segura (e.g., Bowlby, 1988; Waters, Merrick, Treboux, Crowell, & Albersheim, 2000; Weinfield, Sroufe, & Egeland, 2000). Quer a continuidade como a mudança nos padrões de adaptação é coerente (Sroufe, 1979; Sroufe, 2005), embora essa a capacidade para a mudança seja menos sensível e vai diminuindo com a idade.

    b) A Teoria da Vinculação não postula o fecho dos estilos de vinculação, sendo que estes parecem continuar a sofrer mutações ao longo do desenvolvimento humano. É a partir da repetição de experiência de exploração e de convivência com a figura de vinculação que o sujeito (inicialmente em criança) vai estabelecendo o processo de vinculação. Ora, se estas experiências se alteram ao longo da vida, quer em quantidade, quer em qualidade, é viável considerar que as figuras de vinculação também sofram alterações, ou deixem de o ser, ou haja um acréscimo no seu número, considerando que o sujeito possa ter mais do que uma figura de vinculação.
    Segundo Bowlby (1973, 1988), os momentos críticos são os pontos de mudança de direcção, pois uma vez colocado em determinada trajectória, as pressões sofridas, levam a que o sujeito se mantenha nesse curso. Estas pressões têm origem (1) no meio, devido ao facto do ambiente familiar, em que a criança vive, se manter relativamente estável e (2) no próprio indivíduo, ou seja, nos modelos internos do self e dos outros significativos, por si construídos no curso das interacções contínuas e reais, e que têm impacto (ao nível das cognições, comportamentos e emoções) no modo como se aborda e interage com os outros e com o meio.

    c) Uma outra questão será porque não criar Modelos de Vinculação no Trabalho?! Uma vez que se considera que uma análise da ecológica familiar (e.g., Tarabulsy et al., 2005; van IJzendoorn, 1995), possa contribuir para uma compreensão mais alargada e integrada da organização da rede de vinculação da criança, no micro-sistema das famílias, será viável considerar que uma análise da ecologia do trabalho possa contribuir para uma maior compreensão da estrutura de vinculação do sujeito no contexto laboral.

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  17. d) Tal como acontece na relação mãe-filho, cujo carácter é por vezes artificial, o mesmo poderá acontecer no contexto profissional, logo complementar a teoria para um melhor entendimento da orientação do trabalho com observações naturais seria algo de promissor. Claro está, aqui colocam-se questões de viabilidade e de acessibilidade.

    e) Ainda mais, para entender a “escolha” das figuras de vinculação, há que entender que o registo sócio económico e cultural actual sofre tantas alterações, arrisco-me a afirmar que muta-se enquanto somos apenas, que aquilo que é desejado esperado por parte de qualquer ser humano, no nosso caso, trabalhador, também sofre alterações. Os tipos de relações do ser humano têm vindo a alterar-se, concretamente nas sociedades ocidentais, com as grandes mudanças decorrentes da revolução industrial, pressupondo eu que as figuras de vinculação mudem igualmente e o processo que leva à vinculação tome direcções diferentes.

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  18. Susana,
    obrigada pelo seu comentário, que está globalmente bem. Fez sumarização, interligações conceptuais e identificou mais valias e limitações.

    Gostaria, no entanto, que me clarificasse um pouco mais com o seguinte parágrafo:

    "Não explora, não investe (a não ser que as figuras o direccionem nesse sentido) e não tem uma autonomia >nesta sua vertente de vida, pelo que provavelmente lhe será bem mais difícil lidar com situações novas, com o >stress, com as modificações, etc. Parece depender das figuras de vinculação, tal como é mais característico >nas crianças, Se acontecerá se as figuras de vinculação depressa desaparecerem? Saltará para outras >figuras?! Provavelmente. Haverá tempo para criar novos elos de ligação?! Não creio que o consiga antes de >entrar em declínio. Neste adulto, o processo de vinculação não parece ser um indicador importante de satisfação e bem-estar (embora o sujeito o percepcione naturalmente como tal), particularmente na vida profissional."

    Por outro lado, afirma: "A capacidade de exploração destes indivíduos, a meu entender, não é uma tarefa saudável". Na minha opinião, a tarefa é saudável e adaptativa, a questão é que para estes sujeitos a exploração é vista como ameaça e risco.

    De resto, bom trabalho!

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