segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Estilos de vinculação, orientação para o trabalho e relações profissionais

Hazan e Shaver (1990), num artigo denominado “Love and work: An attachment theoretical
perspective”, encontraram consistentes diferenças individuais entre significados atribuídos ao
trabalho e padrões relacionais de vinculação descritos por Ainsworth e colaboradores
(1978). Essas consistências vão no sentido de o trabalho ser um domínio claramente
marcado pela necessidade de exploração do “mundo exterior”, tornando claras as ligações
entre exploração-padrões de vinculação. Os autores constataram, por exemplo, que sujeitos
com padrões vinculativos seguros terão a percepção de orientação segura em relação ao
trabalho. Apresentam, genericamente, altos níveis de sucesso e satisfação profissional,
menos medos relacionados com o rendimento, mantendo, no entanto, hábitos de trabalho
que não coloquem em causa as outras relações extra-trabalho, culminando com uma maior
percepção de bem-estar geral. Por outro lado, sujeitos ansioso-ambivalentes terão uma
orientação para o trabalho que inclui trabalhar com outros e não sozinhos, tendência para
idealizar o sucesso (como garante do reconhecimento dos outros), medo do falhanço e
perda da estima dos outros. Têm tendência a não conseguir acabar projectos, dificuldade em
lidar com datas limite e rendimento profissional baixo. Tendem a desleixar-se quando
recebem um elogio (uma vez que este é o principal objectivo), a sua principal motivação é
ganhar o respeito e admiração dos outros, tendo por base de actuação o medo de rejeição.
Por fim, sujeitos ansioso-evitantes utilizam a exploração como forma de se manterem
ocupados, evitando interacções desconfortáveis com os outros. Tendem a preferir trabalhar
sozinhos, usam o trabalho como desculpa para evitar socializar – apetência especial para
trabalharem durante as férias e sentirem-se nervosos quando não estão a trabalhar.
Continuam a trabalhar da mesma forma, mesmo quando tal é feito à custa da sua própria
saúde e das suas relações, utilizando o trabalho como desculpa para evitamento da
interacção social.

Com base num estudo semelhante, mas de âmbito nacional, proponho-vos a leitura deste artigo de Fonseca, Soares e Martins (2006), que cruza as temáticas da vinculação e dos significados atribuídos ao trabalho.


Deadline: próxima 2ª feira, 19/Dezembro.
Fico a aguardar pelos vossos comentários, boas leituras!